sábado, 26 de maio de 2012

A construção da identidade do coordenador pedagógico no cenário da realidade da educação brasileira: problemas e desafios

O cenário educacional brasileiro tem mostrado algumas facetas quando relacionado ao papel do coordenador pedagógico (CP). Mudanças na estruturação e funcionamento da educação brasileira no decorrer das décadas privilegiaram o surgimento daquele que deveria pelo menos preencher os quesitos de orientador, articulador e subsidiador das práticas pedagógicas, dentre outros, teria a habilidade de acompanhar, coordenar e supervisionar todo o trabalho pedagógico – essa figura veio à existência no papel do coordenador pedagógico. Mas nem sempre existiu uma práxis voltada para um pensamento progressista. Ao fazer um passeio pela história da educação, com o olhar focado na coordenação pedagógica, (Fávero, 2012), encontramos que ela surgiu em meados de 1920 com o objetivo de hierarquizar competências, inventariar as práticas pedagógicas e homogeneizar os PPP. Este pacote de ações teve modificações em 1970, quando no ápice do tecnicismo, os principais focos de atuação eram o planejamento e a execução. Neste momento houve uma aversão com relação à figura do CP para os professores regentes que passaram a enxergá-lo como o responsável pelo controle e hierarquização de poder, alguém que só vigiava o trabalho pedagógico, uma espécie de bedel da sala dos professores. No entanto, ao mudar o governo, muda-se a política voltada para a educação. A sociedade passa por um processo de redemocratização nos anos de 1980, coube a escola uma democratização da gestão educacional. Nesse ínterim, há transformações no papel do CP que tem experiências mais voltadas para os aspectos pedagógicos de base, projetos educacionais de governo, desenvolvidos juntamente com os professores. A visão social desenvolvida neste período é a da escola salvadora do país, ou seja, é instituição responsável pelo desenvolvimento econômico e pela contenção da pobreza. A partir daí são delegados a ela diversos papeis de profissionais que podem somar para o melhor desenvolvimento do aluno, mas que não estão presentes no interior das Instituições, a exemplo, um profissional da área da saúde, que por sua falta (um teste de acuidade visual,) acaba sendo realizado pelo professor regente ou pelo CP. Além disso houve uma redução no quadro de funcionários e um inchaço na máquina, pois a escola se tornou um espaço para todos e quanto mais alunos, mais trabalho. Com a advinda da LDB (Lei nº 9394/1996), muitos aspectos como à autonomia financeira, pedagógica e administrativa, passaram a ser de responsabilidade do gestor. Com várias atividades sendo desenvolvidas dentro da escola, coube ao coordenador pedagógico maior responsabilidade. Este passou a ser escolhido democraticamente pelo grupo. Ele começou a desenvolver vários trabalhos de cunho administrativo e burocrático, fugindo da sua função essência – a raiz pedagógica. Distinguir, classificar e até mesmo definir o campo de atuação do CP, não é tarefa fácil, visto que ele está envolvido em todos os territórios pertencentes ao campo da formação do saber no interior das escolas. Santos (S.I. s.n. s.d. p.7, apud PIRES, 2004, p.182) afirma que “quanto mais esse profissional se voltar para ações que justificam e configuram a sua especificidade, maior também será o seu espaço de atuação”. Por se envolver no emaranhado de ações, acaba “fragilizando, desta forma, o importante papel de articulação pedagógica que o ideário progressista atribuiu ao professor” (Fernandes, S.I. s.n. s.d. p.1). O contexto da Gestão Democrática abre novas expectativas para a organização dos trabalhos pedagógicos, porém faz-se necessário que o CP não tenha a função apenas de ““gerenciar” a implantação das reformas” (Fernandes, S.I. s.n. s.d. p.6, apud GUILHERME 2002), mas que haja articulação, envolvimento, reflexão coletiva das reformas no interior das escolas. O CP é um dos responsáveis pela promoção da formação continuada dos docentes, fator intimamente ligado ao melhor desenvolvimento da prática e maior aprendizagem dos alunos. Porém há diversas dificuldades encontradas no trabalho do CP neste quesito, como por exemplo, (Fernandes, S.I. s.n. s.d. p. 8), precárias condições de trabalho, equipes muito extensas nas quais há profissionais que trabalham com cargas horárias diversas, a presença de muitos contratos temporários e a mudança da equipe de professores para o ano seguinte que impede o firmamento de vínculos mais duradouros com a formação voltada para uma prática educativa substancial no estabelecimento de ensino. A falta de uma formação técnica para a coordenação como afirma Santos (S.I. s.n. s.d. p.8), pode ser considerado um fator dificultador na proposta da formação continuada do regente. No Brasil a fora o CP desempenha vários papéis, Fernandes,( S.I. s.n. s.d. p. 5, apud CLEMENTI, 2001; MATE, 1998; CHRISTOV, 2001; DIAS-DA-SILVA E LOURENCETTI, 2002), trás uma afirmativa para análise e até modificação nas legislações vigentes relacionadas ao CP quando trata de definir a sua “identidade, seu território e o seu espaço de atuação”. Por serem vários espaços de atuação dentro da I.E. existe também o isolamento dos coordenadores pedagógicos em relação aos demais que realizam o mesmo trabalho em outras escolas. É necessário que haja uma ponte para a construção mais sólida da história do coordenador pedagógico nas escolas, sendo de forma documental, além das atas de coordenação, que sabe-se lá se todas as escolas registram. Augusto (2006), Sobre o CP diz que “Além das histórias individuais que todos escrevemos, é preciso construir histórias institucionais.” Santos (S.I. s.n. s.d. p.9), faz alusão ao documento da secretaria municipal de educação de SP, em poucas, mas significativas palavras, no qual se sugere/orienta que “articular o coletivo dos professores em torno de atividades de planejamento, acompanhamento do trabalho pedagógico” é função do CP. Fávero (2012) coloca a importância de se entender o trabalho de coordenação pedagógica como capaz de mediar as relações profissionais de maneira que elas possam se solidarizar na efetivação do trabalho coletivo. Para isso se torna imprescindível verificar quais são as dimensões laborais do CP para que não haja tamanha frustração ao findar de uma árdua semana de prestação de serviço a educação brasileira ter a consciência (através das prerrogativas das legislações vigentes) do seu significativo papel na instituição escolar, mas na reflexão da prática diária visualizar ações relacionadas a burocracias e a administração no trabalho realizado, aspectos deixados como herança pelo pacote de reformas educacionais da década de 1990. Referências Bibliográficas AUGUSTO, Silvana. Desafios do coordenador pedagógico . Nova Escola. São Paulo, n. 192, maio 2006, disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/gestao-escolar/coordenador-pedagogico/desafios-coordenador-pedagogico-546602.shtml FERNANDES, M. J. S. O professor coordenador pedagógico, a articulação do coletivo e as condições de trabalho docente nas escolas públicas estaduais paulistas. Afinal, o que resta a essa função? [S.l.: s.n., s.d.] SANTOS, L. L. de C. P.; OLIVEIRA, N. H.. O coordenador pedagógico no contexto de gestão democrática da escola . [S.l.: s.n., s.d.]. SOBRINHO, F.A. Roteiro de Orientação da unidade I – Um olhar sobre o papel da coordenação pedagógica, 2012, disponível em: http://coordenacaoescolagestores.mec.gov.br/unb/mod/lesson/view.php .

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