sábado, 26 de maio de 2012

A coordenação pedagógica e a questão das relações de poder na organização do trabalho pedagógico.

Universidade de Brasília – UNB Curso: Coordenação Pedagógica Disciplina: Realidade Escolar e Trabalho Pedagógico - A coordenação pedagógica no contexto da gestão e da organização do trabalho pedagógico Aluna: Milca Oliveira de Paula Professor: Professor Antônio Fávero Tutora: Maria Jeanette Pereira Amorim Martins Ribeiro A coordenação pedagógica e a questão das relações de poder na organização do trabalho pedagógico. As relações de poder na organização do trabalho pedagógico realizado dentro das instituições educacionais de ensino poderiam ser diferentes no decorrer das décadas na historia da educação brasileira. Ao pensar em evolução tecnológica e cientifica, seria possível vislumbrar uma escola que decodificasse o uso do poder dos atores presentes no processo educativo de forma linear, horizontal. No entanto, infelizmente, não é o que vemos no dia-a-dia. Consideremos a sociedade como um armário cheio de gavetas, e cada gaveta seja um setor da sociedade – saúde, educação, segurança, meios de comunicação, transporte, comércio, entre outros - nelas ocorrem relações de poder em diversos graus. A educação produzida na escola, “em qualquer sociedade, tende a renovar-se e ampliar seu âmbito de ação, reproduzir as condições de existência social formando pessoas aptas a ocupar os lugares que a estrutura social oferece.” (TRAGTENBERG 2001). A escola é um lugar de formação, que molda o sujeito para atuação na sociedade. A sociedade brasileira é sem dúvida uma sociedade exacerbadamente movida por relações de poder e a escola só reproduz o modelo social ao qual está inserida. Um aspecto muito relevante que retrata bem o uso do poder é a questão da burocracia. CASTRO (1998, p.3), amparada nas ideias de Weber, pontua que “a burocracia é o meio de poder mais altamente desenvolvido nas mãos do homem que o controla.” e ainda que os interesses de toda natureza, quer seja político, econômico, de influência se dá de maneira racional através da burocracia, nela é exercido um poder na formalidade e na impessoalidade. Vamos nos deter agora na análise do poder enquanto fator simbólico, cujo objetivo seria, de forma invisível, manter-se com legitimidade, “ dissimulando a força que há em seu fundamento e só se exerce se for reconhecido.” (CASTRO, 1998, p.3) . A não necessidade da força bruta não impede que o detentor do poder consiga êxito no objetivo de coerção. Não é tão difícil entender as relações de poder nas escolas se pensar em uma pirâmide, ou espécie de organograma, cujo poder ‘supremo’ estaria nas mãos das autoridades superiores ao diretor, em seguida do diretor... Para melhor visualização da proporcionalidade do poder vamos observar o organograma abaixo, da direita para a esquerda, sendo que maior poder detém o primeiro da direita e o menor poder o último da esquerda: Autoridades (secretarias e coordenações de ensino) diretores de escola supervisores coordenadores professores pais alunos outros alunos. Apesar da existência da escola ser em função da existência do aluno, este é o último personagem do palco escolar, o que menos tem poder dentro da escola e o que mais sofre a violência simbólica. De acordo com TRAGTENBERG (2001), “É a estrutura escolar que legitima o poder de punir, que passa a ser visto como natural. Ela faz com que as pessoas aceitem tal situação.” Os próprios alunos acabam internalizando que faz-se necessário a figura de uma pessoa que vigie e mantenha a ordem estabelecida, aquela vista como a correta, que entende e resguarda o regimento interno. Mesmo sendo observado por grande parte da comunidade escolar que os alunos são por muitas vezes as grandes “vítimas do mau humor de professores descontentes”, conforme afirma Castro, (1998). Acrescentamos ainda (os alunos) serem vítimas de diretores insatisfeitos com que lhes é imposto pelo sistema e até mesmo por outros componentes do sistema como secretárias, merendeiros e servidores de limpeza, insatisfeitos com a realidade estabelecida. A descentralização do poder surge como um caminho possível, podendo ser considerado como uma evolução no sistema educacional brasileiro. Independente de corrente política ou pensamento assumido pelos autores citados no texto, de qualquer forma é fundamental a existência de mecanismos que transformem as discussões e as relações mais lineares, como por exemplo, a feitura do projeto político pedagógico. Neste processo não poderia ser mais aceito o registro de apenas um ou no máximo três segmentos daqueles que estão diretamente ligados a escola. Mas sim de todos os atores, tornando esse assunto resultado de uma construção coletiva. Se existe um jogo exacerbado de poder, provavelmente, não existirá uma transformação social, visto que se o sentido de existir da escola é o aluno e sua formação, a transformação social não será alcançada com um “trabalho parcelado e fragmentado da equipe escolar” (Pimenta, 1993). Pensando em organização linear das atividades desenvolvidas na escola, não dá para olhar a organização com indiferença e deixar que apenas alguns participem do processo. Pimenta alerta que “a organização da escola é coletiva”, por isso a necessidade do trabalho ser realizado utilizando a ciência pedagógica – na qual cada um consegue perceber qual é a sua competência específica dentro da equipe. Nesse sentido o coordenador pedagógico precisa entender quais são as finalidades da educação escolar, objetivo fim: formar cidadãos críticos, capazes de atuar na sociedade, de forma mais humana e mais dialógica possível. O aluno formado dentro desta ótica, seria um “novo cidadão”, conforme a visão de Pimenta, (1993, p.81). Segundo a autora, são várias as atitudes voltadas para as finalidades da educação: diagnósticos da realidade, elaboração, execução e reflexão do planejamento realizado; capacitação em serviço; constante assistência didático-pedagógica; ação e reflexão acerca da diminuição da defasagem, evasão e repetência escolar; e, dentro dessas e outras atitudes voltadas para melhoria do ambiente e escolar está à reflexão e execução do projeto político pedagógico, no qual devem estar presentes todas as ações citadas acima. O coordenador pedagógico pode, dentro das suas faculdades, enquanto profissional nesta função, organizar uma teia de atividades (atitudes), divididas para todos dentro da comunidade escolar, envolvendo o coletivo e trabalhando a individualidade de cada um. As dificuldades para a realização do trabalho possível. Bibliografia CASTRO, Magali de. Um estudo das relações de poder na escola pública de ensino fundamental à luz de Weber e Bourdieu: do poder formal, impessoal e simbólico ao poder explícito. In Revista da Faculdade de Educação. São Paulo, 1998. http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-25551998000100002&script=sci_arttext PIMENTA, S. G. Questões sobre a organização do trabalho na escola. Idéias, São Paulo, v.16, p. 78-83, 1993. http://www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf/ideias_16_p078-083_c.pdf TRAGTENBERG, Mauricio. Relações de poder na escola. In Revista Espaço Acadêmico, Ano I, nº 7, dezembro de 2001. http://www.espacoacademico.com.br/007/07trag_escola.htm

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