"Trajetoria de uma utópica educadora que persiste em acreditar que podemos melhorar a sociedade por meio de uma educação pública de qualidade visando a formação de simplesmente seres humanos."
sábado, 26 de maio de 2012
A coordenação pedagógica e o novo perfil de aluno que temos em nossas escolas: problemas, desafios e alternativas
Universidade de Brasília - UnB
Faculdade de Educação
Curso de Especialização em Coordenação Pedagógica
Disciplina: Realidade escolar e trabalho pedagógico
Professor: Antonio Fávero Sobrinho
Aluna: Milca Oliveira de Paula Silva
A coordenação pedagógica e o novo perfil de aluno que temos em nossas escolas: problemas, desafios e alternativas.
A luta contra o fracasso escolar nas escolas em todo mundo tem sido uma constante nas últimas décadas. Na educação brasileira não tem sido diferente,
“basta ver os elevadíssimos índices de reprovação e evasão escolar, o baixíssimo grau de aprendizagem dos alunos que tiveram "sucesso" revelado
nas testagens nacionais e internacionais de conhecimentos mínimos.”
(Vasconcellos, 1997,p.237).
Por isso, têm sido realizados vários estudos com intuito de descobrir quais são as causas e assim poder intensificar o trabalho de combate as deficiências que retratam o fracasso. Uma das causas levantadas e observadas e tem sido fator preponderante é o novo perfil do aluno que temos em nas instituições.
Antes de entrar propriamente na causa das “juventudes” (Dayrell, 2007), que encontram-se na atualidade dentro das escolas, faz-se necessário discorrer acerca das transformações que giram em torno da escola.
O tão movimentado espaço escolar passou por várias mutações. Segundo Libâneo (1990), já se trabalhou com a tendência liberal (não crítica), tradicional - na qual a metodologia didática, o relacionamento professor/aluno não têm nenhuma relação com o cotidiano do aluno e tão pouco com as realidades; a renovada Progressivista – a escola cabe adaptar o aluno ao meio onde vive, ele deve aprender a aprender e fazendo; a Renovada Não-Diretiva - O professor é o facilitador; a Liberal Tecnicista – função da escola é produzir indivíduos "competentes" para o mercado de trabalho, independente das mudanças sociais.
Numa outra perspectiva se trabalhou com a tendência progressista (critica): Libertadora – na qual o aprender é recorrente da realidade do educando num processo de compreensão, reflexão e crítica; Libertária - educação popular, não formal, de uso prático; Progressista Crítico-Social dos Conteúdos – cuja função é a preparação do aluno para o mundo adulto, serve como mediadora entre o indivíduo e o social. São várias as tendências, vários os pressupostos como suporte para um excelente trabalho pedagógico. No entanto um dilema se instaura: a mudança que geralmente ocorre entre os docentes apenas no campo das idéias, da formalidade. A ambigüidade encontrada em uma prática mais voltada para o ensino tradicional da educação do início do século XIX. Situação que aumenta e alimenta ainda mais as disparidades existentes entre o educador – representante do sistema de ensino e o educando. Em meio a mudanças sociais, tecnológicas, dentre outras, no seio da instituição família, encontramos um espaço educativo sistematizado – a escola - totalmente modificado, cujos “parâmetros morais adquirem novas dimensões políticas na produção da segregação social e cultural.”
Atualmente o novo perfil de aluno que temos em nossas escolas é de um ser considerado por muitos violento, deformador da realidade cidadã, portador de condutas transgressoras, que ameaça a ordem e a civilização (ARROYO, 2007), que tem sido a causa de abandono do magistério por estar intimamente ligado a tamanha insatisfação dos professores, (VASCONCELLOS, 1997), que encara a escola como espaço de freqüentação obrigatória, sendo fruto dessa obrigação o recebimento de um determinado diploma (DARELL, 2007). Talvez seja este o grande desafio e maior fator problema: moldar este perfil.
Indiscutivelmente, este novo aluno tem características ímpares que o diferencia substancialmente das gerações anteriores. Darell, valendo-se das afirmações de Giddens (1991), contribui para a causalidade desse perfil e constata que “profundas transformações sócio-culturais ocorridas no mundo ocidental nas últimas décadas, fruto da ressignificação do tempo e espaço e da reflexividade,” (DARELL, 2007, p.1108), tem deixado marcas profundas na identidade dessa clientela escolar. Há que se considerar que o discente tem uma visão ampla da sociedade que mudou, que caminha a uma velocidade e em contrapartida está obrigado a frequentar um espaço que ainda não conseguiu acompanhar a evolução social, ainda sugere e realiza ações mecânicas para um alunado que é
“radicalmente diferentes dos alunos de épocas anteriores por apresentarem uma “historicidade pós-moderna”, constituída por um conjunto de práticas culturais responsáveis pela “produção” de sujeitos particulares, específicos, com identidades e subjetividades singulares.” (SOBRINHO, 2010, p.2)
Para Sobrinho (2010), a verticalização das relações exauriu dando espaço a múltiplas conjunturas quer seja temporais quer seja efêmeras com reconhecimento de horizontalidade e proximidade. Os professores de hoje, com prática voltada para o pensamento iluminista, agem com estranheza as várias atuações dos alunos e precisam entender que existe uma mutação existencial coletiva frente às peripécias pregadas pelo pós-moralismo.
Aceitação a mudança frente aos embates existentes entre as gerações, não é e não será fácil. No entanto, a escola necessita se moldar para perceber que através dela existe a possibilidade de ressignificação do saber e do sentido de existir desse rico espaço pedagógico, considerando-se o aluno proveniente de uma sociedade semiurgica (sobrinho, 2010, p.13) e desenvolvendo proposições que o autor hora citado aborda que são as seguintes:
1- A escuta sensível: na intenção de dialogar com o universo simbólico do alunado, levando-se em consideração quatro escutas. São elas: a socioidentitária na qual se valoriza os modos de pensar, agir e sentir; as narrativas silenciosas, gestuais, não-verbais; a poético-existencial: que reconhece as múltiplas narrativas; a espiritual-filosófica: que valoriza a escuta dos valores últimos que atuam no sujeito (indivíduo ou grupo);
2- Agir pedagógico comunicativo: A cultura escolar deve ser considerada se textualizada em relação ao complexo cultural relacionada aos mais diversos espaços de aprendizagem contemporâneos tanto real quanto virtual.
3- Ressignificação reflexiva dos saberes: a apropriação significativa do saber em âmbito escolar precisa estar densamente incluída às identidades culturais a fim de participar de uma significante elevação sociocultural.
Bibliografia
ARROYO, M.. Quando a Violência Infanto-Juvenil Indaga a Pedagogia. In: Educação e Sociedade: revista de ciência da educação. Campinas: Cortez/CEDES. V. 28, Nº 100, 2007.
DAYRELL, J. A escola “faz” as juventudes? Reflexões em torno da socialização juvenil . Educação e Sociedade. Campinas, v. 28, n. 100 – Especial, p. 1105-1128, out. 2007.
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-7330200700 0300 022 &lng=pt&nrm=iso .
LIBÂNEO, José Carlos. Democratização da Escola Pública. São Paulo : Loyola, 1990.
SOBRINHO, Antonio Fávero. O aluno não é mais aquele! E agora professor? A transfiguração histórica dos sujeitos da educação . 2010.
VASCONCELLOS, C. S.Os desafios da indisciplina em sala de aula e na escola. Publicação: Série Idéias n. 28. São Paulo: FDE, 1997
Páginas: 227-252 Site: http://www.crmariocovas.sp.gov.br/amb_a.php?t=014
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário
comente, se possivel deixe seu e-mail para pos´´iveis repostas!